quarta-feira, 23 de julho de 2014

Devaneios

         Deixa que o tempo diga... Deixa que ele mostre o que pode vir de bom, são tantas as possibilidades e mesmo que agora tu não sejas capaz de ver com clareza, o tempo te dirá. 
           São nos dias frios e nublados que percebemos como é lindo um dia de sol, como o calor parece bem vindo e como tudo parece mais feliz e colorido. Cores... É disso que o mundo precisa. Pintar o mundo de amarelo, de vermelho, de azul... Azul! 
        Dos dias azuis me lembro principalmente dos sorrisos, daqueles difíceis de esquecer, que enchem o mundo, daqueles que ficam gravados, que ferem a memória e deixa um cicatriz de lembrança.
       Das lembranças eu procuro guardar aquelas que representam o melhor de um tempo que não volta. São as lembranças que nos tornam humanos, são elas que não nos deixam esquecer o que fomos e principalmente o que foi importante um dia. 
     Sobre tempo, cores e lembranças é que vai se tecendo nossa esperança. Com ela as nossas expectativas vão ganhando força, e nós continuamos a acreditar que o tempo irá colorir nossos dias e eternizar nossas lembranças. 
         Sobre aqueles dias... As lembranças tornam os momentos eternos. O futuro é uma tela em em branco, somos espectadores e o tempo um artista que colore as lembranças. 

sábado, 1 de dezembro de 2012

De volta à menina



Ela acordou chorando, havia sonhado estar em um lugar bom, familiar. Isso era estranho demais, ao menos agora parecia impossível que pudesse voltar aos lugares que ela costumava passar as tardes, as noites e as manhãs. Havia deixado para trás os livros... Sim ela os deixara, não por escolha, mas por falta dela. A menina crescera e hoje era prisioneira da própria realidade.
Tinha responsabilidades, precisa crescer... Aprender! Diziam que ela era ingênua demais, era verdade. Conhecia tudo o que sabia de pai, mãe e livros, isso não era tão mal assim, conservava ainda certa pureza e junto com isso uma predisposição incrível para a tolice. Naquela manhã ela havia acordado com tantas dúvidas, e já tinha chorado baixinho, ela ainda trazia isso... Guardava sentimentos. Sentia falta do cheiro de papel velho, da aparência amarelada das páginas antigas, sentia falta de quem podia ser sempre que quisesse.
Embora a menina tenha crescido, guardou consigo o maior dos segredos, seu mais precioso tesouro. Não era dinheiro e nem livros como podem ter imaginado. A menina queria amar... Isso tornava tudo mais fácil, a curiosidade nos impulsiona a correr atrás, isso significava que não desistiria de sentir... Era chegada a hora em que a menina sairia em busca de inspiração, era chagada a hora de correr a caneta no papel e aos poucos escrever a própria história.
Ela sabia disso. Secou as lágrimas e levantou da cama, um dia começava, e com ele a possibilidade de começar outra vez... A mesma história.

sábado, 17 de novembro de 2012

Sentimentos na caixa

-De onde vem as palavras? De onde surgem as frases, o compasso das canções? Ouvirdes falar do amor?
Tantas vezes busquei compreender aqueles tolos, duvidei até mesmo dos simples sintomas de amor. Fiz de mim uma forte... Por muito tempo foi nisso que acreditei. Sabes criança, nem sempre podemos deixar de sentir. Sim, eles são uns tolos, uns loucos... Mas conhecem o amor. Levam a vida nas canções, nas melodias impetuosas e nos poemas de Camões, Vinícios talvez.
Der-me apenas uns instantes de lucidez e provarei a você que todos eles são insanos. Veja, pessoas comuns  pensam por si mesmas, não saem por ai esbravejando sentimentos, nem mesmo se embragando e profanando amores impossíveis. Loucos são os que se entregam. Ouça com atenção criança, guardes teu coração naquela caixinha que te dei, estará seguro nela.
Quando te perguntares o porque sois tão duro, diga apenas que decidiu por ser um forte como eu.
- Não poderei amar jamais? 
- Não seja ingênuo, você já ama, apenas cuide de não destruir as resistências que lhe restam. Falarei mais de como consegui tudo o que tenho com aquela caixinha que hoje dei a você...
- Me fale de você, é feliz?
- Nem sempre nossas escolhas nos permitem medir isso que chamas de felicidade... muito tenho que ensinar-te ainda. Nos meus desvaneios me testei muitas vezes, me questionei muitas vezes e no final sempre cheguei a conclusão de que mesmo sozinho, trilhei o caminho mais fácil. Espere... onde vai?
- Colocar meu coração na caixinha.
- Vejo que concordas comigo.
- Sim, ele estará seguro lá dentro, como você eu quero seguir o caminho mais fácil.
- Fico feliz que tenha compreendido tão rápido. Mas não precisa ir agora... Gosto de sua companhia... Não são muitos os que querem ter comigo.
- Viu? por isso mesmo devo ir andando, quanto mais rápido colocar meu coração na caixinha mais valioso se tornará. Quero o caminho mais fácil.
... Naquela noite a criança saiu de casa levando uma pequena caixinha na mão, quando sua mãe perguntou o   que estava fazendo, ela respondeu:
- Darei-a a alguém, sei que cuidará para mim. Quero o caminho mais fácil. 


sábado, 25 de agosto de 2012

A menina. Outra página qualquer



Era mais um daqueles dias chuvosos e frios que ela tanto odiava, havia crescido em meio ao calor constante e adorava a claridade durante quase todo o ano, e por alguma razão geográfica nesse lugar chovia constantemente.  A menina sabia o que deveria fazer, abriu mais um livro e foi pro mundo que criou ultimamente essa era a única forma que encontrava para fugir dos seus fantasmas, aqueles mesmos que lhe fizeram companhia tantas noites, hoje ela não queria ninguém por perto, nem mesmo seus fantasmas.

Já havia se cansado das lembranças que a muito lhe atormentavam, estava cansada de pensar nos próprios erros e tentar corrigi-los, estava começando a achar que ainda se afogaria neles, ou na tentativa de mudar. Só queria por um dia ter tudo o que deixou pra trás, só ouvir as vozes que ainda hoje em sonhos soam tão familiares, e sim, ainda causam dor... Saudade? Talvez, mesmo assim dói, sabe?

Mas era um tempo feliz, um tempo onde podia imaginar seu próprio mundo físico, onde mesmo acordada podia sentir que fazia parte de coisas simples, descomplicadas, coisas leves, era disso que sentia falta... A pressão sempre fez parte da sua vida, mesmo nesse tempo onde a simplicidade falava mais alto, mas por alguma razão a pressão agora era mais forte, mais dolorosa por não saber como mudar, talvez não precisasse mudar, talvez devesse dá um basta, gritar, sei lá...
Talvez devesse apenas encontrar outra forma de ser feliz...

terça-feira, 31 de julho de 2012

Dando um tempo



Por favor, espera. Só preciso de um pouco de tempo pra organizar o que vou te dizer. Você sabe que não é fácil. Mas hoje estive pensando em mim, depois de tanto tempo finalmente pensando em mim, sabe, me surpreendi com isso. Acostumei-me aos dramas alheios e deixei os meu um tanto quando imersos no esquecimento, mas hoje mergulhei pra resgatá-los.

Eu sei que você sabe tão bem quanto eu que não é fácil conviver comigo, talvez simplesmente não seja fácil conviver. Mas a gente aprende. Olha, sei que tudo tá uma merda mesmo, sei que você ta cheio de problemas, e que eu devia apoiar mais. Hoje pensei nisso, em você também. Falo muita besteira, sou uma pessoa difícil as vezes... Mas gosto de você! Quer saber? Já me perdi. Sempre me perco em você. E sim, isso pode não ser bom.  As vezes só preciso me encontrar, por alguma razão bobona eu insisto em lembrar de quem eu fui, da menina que fui. A menina que sou ainda sente falta daquela menina, daquelas histórias, daquelas pessoas... E as vezes me perco em mim. Você sempre me acha de volta, isso é bom.

Sabe, eu me pergunto as vezes se isso tudo é certo, falo de mim, não de nós, nós é certo! Fiz tantas escolhas, deixei tantas coisas, acho que também fico remoendo, não os problemas, mas o passado, é o que me mantem de pé hoje. Se isso é bom? Eu não sei. Ainda sim é o que acontece, talvez eu só precise de tempo, o mesmo tempo que me permite ainda lembrar. Talvez eu só precise de mim, pra encontrar você.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

A menina



E naquele exato momento a menina abria os olhos, ainda exausta, com sono, ela voltava de seu mundo encantado. O sol fazia todo o quarto se encandear numa luminosidade que feria os olhos... Despertara!
Mas um dia começava e mais uma vez fora obrigada a voltar para um mundo que não conhecia... O real. Tinha um longo dia pela frende e ainda assim estava mais disposta e voltar para a cama do que ligar o chuveiro e tomar banho para encarar o mundo lá fora. Estava cansada daquilo tudo, das pessoas, dos lugares tão comuns e frios... Estava cansada de encarar a própria realidade, quando tudo que queria era voltar para o lugar que havia descoberto. Era tão bom poder recorrer às páginas envelhecidas sempre que tudo parecia ir de mal a pior, poder sair por ai e dá de cara com um sonho perfeito, com uma vida diferente, ter amigos que enfrentavam tudo para te ajudar, ou finalmente amar e ser correspondida. E era assim que a menina seguia... Sonhando, loucura? Talvez, mas em cada dia podia ser tudo o que realmente quis ser.
Sentido? Talvez... Se tu sonhas de alguma forma poderia muito bem entender a menina, não é por que o mundo dela não seja igual ao teu que o faz ser menos real. É real pra ela, por ela.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Nós...



Sabe ainda olho as estrelas e me pergunto onde realmente eu deveria está. Penso em tantas coisas, ainda tenho tantos sonhos, tantos medos, tantos grilos e tantas dúvidas... Mas sabe, eu tenho uma certeza... Aquela mesma que eu tive no exato momento em que uma garota confusa e cheia de sonhos pode sorrir ao conhecer alguém. Quem? Você!
Sabe,  por anos guardei meus sentimentos, calei minhas tantas palavras que, só queriam ser pronunciadas... Por medo, receio, por mera impossibilidade de acontecer, mais uma vez me calei.
Segui...
Em frente, como não seria assim? Como não correr atrás de cada um dos meus sonhos? Então o fiz. Fui em frente, mesmo que uma parte de mim ficasse para trás.  Mas eu de alguma forma sabia que deveria seguir e esperar.
Esperei...
E tão inacreditável como um sonho, um sonho bom, despertei um dia e parte do que havia ficado lá atrás, lembra, onde deixei, onde pus o primeiro pé na estrada desse longo caminho a trilhar, alguma parte daquele mundo havia voltado e junto com ele a oportunidade de dizer todas as palavras caladas pela prudência.
Falei...
E ouvi... E tão bom quanto um sonho que se realiza você deu cor ao meu mundo. Carimbou um sorriso constante em meu rosto e o maior dos sentimentos em meu peito.
Amei...
E ainda que o tempo verbal no pretérito seja apenas uma tentativa de um compasso adequado, um encaixe legal... Não muda o sentido de tudo aquilo que já te disse de tudo aquilo que em meio a lágrimas e muitos sorrisos carimbados eu te disse. Porque era você, porque era eu... Porque de alguma forma éramos nós...
Amo!